A humanidade sempre sonhou em encontrar outro lar no vasto universo, um planeta que pudesse abrigar vida como a conhecemos. Essa busca acaba de dar um passo monumental com a confirmação inédita da existência de um exoplaneta rochoso, com atmosfera e localizado na tão cobiçada zona habitável. O candidato em questão, LHS 1140 b, a apenas 48 anos-luz de distância, pode ser o objeto mais similar à Terra já encontrado por pesquisadores.
LHS 1140 b: Um Primo Distante da Terra
Identificado previamente, o LHS 1140 b orbita uma anã vermelha fria e possui uma composição rochosa. Sua distância da estrela hospedeira é ideal para que a água líquida possa se manter em sua superfície – um ingrediente crucial para a vida. A equipe de pesquisadores do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian conseguiu detectar, pela primeira vez, assinaturas de hélio em sua atmosfera, um avanço significativo que foi documentado na revista Science.
“Vinte anos atrás, nos perguntávamos se outros planetas do tipo terrestre sequer existiam. Então, descobrimos que são comuns e encontramos alguns na zona habitável. A próxima pergunta era se algum deles havia conseguido manter uma atmosfera. Agora, sabemos que sim.”
— Robin Wordsworth, professor de Harvard e coautor do estudo.
A Essência da Vida: Uma Atmosfera Estável
Para a vida florescer, uma atmosfera é indispensável. Na Terra, ela é a guardiã da água em estado líquido, evita a ebulição e a sublimação descontroladas, regula a temperatura para um clima estável e nos protege da radiação espacial nociva. Astrônomos buscam condições de “Cachinhos Dourados” – nem muito quente, nem muito frio – e o LHS 1140 b é o primeiro exoplaneta a apresentar evidências robustas de que atende aos três requisitos fundamentais: ser um corpo rochoso, estar na zona habitável de sua estrela e possuir uma atmosfera.
Como Detectar um Sopro de Vida a Anos-Luz?
Embora o LHS 1140 b tenha sido descoberto em 2017, as novas e empolgantes descobertas derivam de observações realizadas em 2024 e 2025. Para detectar uma atmosfera a 48 anos-luz, os cientistas rastrearam vazamentos de hélio emanando do planeta. Essas assinaturas fornecem forte indício não só da existência de uma atmosfera, mas também de que ela se mantém por, no mínimo, 3 bilhões de anos.
Os pesquisadores detectaram a assinatura espectral do hélio e, em seguida, utilizaram modelos físicos para reconstruir como esse gás escapa da atmosfera. É importante ressaltar que, embora o planeta esteja na zona habitável, isso não é prova de vida ou que seu ambiente seja idêntico ao da Terra. Na verdade, a quantidade de hélio em escape sugere que sua atmosfera difere bastante da nossa. A camada superior, de onde o hélio é expelido, é apenas a parte mais evidente. Camadas inferiores podem abrigar gases mais pesados, como nitrogênio, dióxido ou monóxido de carbono.
Ainda assim, o estudo confirma a viabilidade da técnica utilizada para a detecção atmosférica. Futuramente, serão necessários instrumentos mais potentes para caracterizar completamente a atmosfera do LHS 1140 b e investigar a presença de oceanos superficiais ou outras características compatíveis com a habitabilidade. A busca continua, e cada passo nos aproxima mais da resposta para uma das maiores questões da humanidade: estamos sozinhos no universo?