Certificações Falsas: O Perigoso Jogo das E-bikes e a Ação Judicial contra a Aipas

O universo das e-bikes e a segurança do consumidor foram recentemente abalados por uma batalha legal que expõe um problema grave e recorrente: a deturpação de certificações de segurança. Gigantes como Amazon e UL (Underwriters Laboratories), uma referência global em testes e certificações, entraram com um processo contra fabricantes chineses de e-bikes da marca Aipas.

O Caso Aipas: Falsas Promessas e Consequências

Em janeiro, as empresas americanas acusaram as firmas chinesas de usar indevidamente a marca UL em anúncios na Amazon e no site da Aipas. A promessa era clara: produtos certificados, sinônimo de segurança, especialmente contra os temidos incêndios de baterias de íons de lítio. O problema? Essas alegações eram falsas.

Em julho, um juiz federal selou um acordo que resultou em uma liminar permanente. Nele, as empresas chinesas concordaram em não usar mais a marca UL, nem auxiliar terceiros a fazê-lo. É importante notar que, formalmente, elas não admitiram culpa ou má conduta.

A Persistência do Engano Online

Apesar da liminar, a situação tomou um rumo preocupante. A revista WIRED descobriu que contas de Facebook associadas à Aipas Ebike continuavam veiculando anúncios com o logotipo vermelho vibrante da UL, mesmo após o acordo judicial. Um repórter da WIRED chegou a ser impactado por um desses anúncios em meados de julho.

Registros da Meta Ad Library mostraram que outras campanhas com a marca UL estavam ativas desde abril, meses após o início do processo. Um anúncio de maio, também com a marca UL, misteriosamente desapareceu da Ad Library após a WIRED contatar Aipas e UL para comentários.

A investigação da WIRED revelou ainda que, embora algumas e-bikes e suas baterias tenham eventualmente recebido certificações de segurança de uma organização reconhecida, isso ocorreu meses depois de a empresa começar a anunciar os selos UL, e algumas dessas certificações já se encontram inativas.

Um Problema Crônico com Implicações Perigosas

Nem a Amazon, nem a UL ou os advogados da Aipas comentaram sobre o caso em detalhe. No entanto, Bradley Carlson, porta-voz da UL, afirmou que a equipe está ciente e trabalhando para resolver as questões dos anúncios no Facebook.

O que o caso Aipas expõe é um “problema comum e que existe há bastante tempo”, nas palavras de Donald Mays, especialista em segurança de produtos. Essa tendência tem implicações sérias, especialmente para dispositivos de mobilidade elétrica. Um relatório do governo dos EUA de abril registrou 45 fatalidades entre 2017 e 2024 ligadas a incêndios de baterias de íons de lítio em dispositivos de mobilidade, sendo 19 delas apenas em e-bikes.

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