Um filme estrelado por Armie Hammer, intitulado Citizen Vigilante, tem agitado as redes e provocado intensos debates, não apenas pelo seu conteúdo, mas também pela inesperada promoção de Elon Musk. Na trama, Hammer interpreta Sanders, um ex-soldado americano que, após herdar o império imobiliário de seu pai em um país europeu não especificado, se torna um vigilante assassino. Revoltado com o que considera uma “tomada muçulmana” do continente, Sanders inicia uma campanha de execuções extrajudiciais contra migrantes, jovens e juízes que ele considera cúmplices.
Um Enredo Que Inflama
No universo do filme, o personagem de Hammer é encorajado por vídeos em uma plataforma de mídia social, semelhante ao Instagram, onde pessoas ao redor do mundo celebram sua campanha violenta. Um dos clipes mostra uma mulher dizendo: “Já ouviu falar desse combatente vigilante na Europa? Ele é o cara. Esse homem está dando um jeito no lixo”, e acrescenta: “Acho que precisamos de alguém assim aqui nos EUA”.
“Esse homem está dando um jeito no lixo. Acho que precisamos de alguém assim aqui nos EUA.”
Não surpreendentemente, a extrema-direita no mundo real abraçou o filme. Desde seu lançamento, supremacistas brancos e outros extremistas têm elogiado a mensagem do longa, sugerindo que ele poderia servir como um “manual” a ser seguido. Comentários em canais de extrema-direita incluem frases como “Talvez a violência contra migrantes seja o que é necessário” e “É o único caminho. Eles não têm remorso. Eles querem você morto”.
Críticas Ferrenhas e a Visão do Diretor
A produção reitera a infundada teoria da conspiração da “grande substituição”, que afirma que imigrantes muçulmanos teriam dominado o continente europeu. O filme foi amplamente detonado pela crítica, sendo chamado de “chocantemente ruim”, “racista, xenofóbico, etnocêntrico e propaganda alt-right”. Sua estreia em junho, semanas após tumultos anti-imigração no Reino Unido e Irlanda do Norte, adicionou mais lenha à fogueira.
Uwe Boll, o diretor, é frequentemente considerado um dos piores cineastas de todos os tempos, conhecido por adaptações de videogames mal recebidas. Embora Boll tenha declarado a Piers Morgan não ser anti-muçulmano, ele afirmou ao Hollywood Elsewhere que muçulmanos “assumirão o controle em cerca de 30 anos e então começarão a matar todos que não se converterem ao Islã”, posteriormente “esclarecendo” à WIRED que se referia a “muçulmanos islamistas radicais” que acreditam em “regras da Idade da Pedra, cheias de ódio, antidemocráticas e violentas”. O filme foi inclusive banido na Alemanha, terra natal de Boll, por “incitar a violência contra imigrantes”.
O Endosso de Elon Musk e o Debate Sobre Plataformas
O que poderia ter sido mais um trabalho controverso de Boll, destinado ao esquecimento, ganhou projeção global graças a Elon Musk. Por semanas, Musk endossou o filme, chegando a compartilhar o longa-metragem inteiro no X (antigo Twitter) por 48 horas, onde foi assistido milhões de vezes. Sua promoção reavivou o debate sobre o papel das plataformas digitais na disseminação de conteúdos extremistas e teorias conspiratórias, amplificando a alcance de uma obra que, de outra forma, teria tido uma visibilidade muito limitada. A atitude de Musk levanta questionamentos cruciais sobre a responsabilidade de quem detém o poder de influenciar milhões de usuários online.